Vinho, Gastronomia e Viagens

5 Motivos para NÃO comprar uma adega climatizada

Adega vinhobasico

Ter uma adega bonita, cheia de recursos e com capacidade infinita de vinhos é o sonho de consumo de qualquer enófilo, mas é importante saber se a adega vai ser bem utilizada ou se será uma “geladeira de luxo”. Outro dia comecei a pesquisar adegas climatizadas e me deparei com algumas limitações que me fizeram desistir (pelo menos por enquanto):

 

1. Alta rotatividade dos vinhos

Se o seu vinho não fica esperando muito tempo para ser consumido, talvez uma adega não seja tão necessária nesse momento. Veja o exemplo de uma prateleira de supermercado: estão sempre vendendo e repondo os vinhos (e as prateleiras não são climatizadas!).

 

2. Vinhos Jovens

Os vinhos que você consome em casa são para consumo imediato e/ou não necessitam de guarda? Uma adega poderia ser dispensada, desde que o vinho fique em local adequado.

Nesse item, é importante se questionar se você (só) compra vinhos jovens porque não tem uma adega para guardar ou se não tem adega justamente porque só compra vinhos jovens. É uma questão de gostos e necessidades.

 

3. Mudança frequente de residência

Você pensa em comprar aquela adega para guardar aquele vinho e deixa-lo envelhecendo por alguns anos (alguns vinhos precisam desse descanso), mas se lembra que nos últimos 4 anos mudou de casa 7 vezes(!). Imagina como ficaria o seu vinho depois da maratona: entra na adega – sai da adega – entra no carro – chacoalha no carro – sai do carro – volta pra adega (agora repita mais 6 vezes). Se esse vinho não morrer de estresse, vai ficar com sequelas e depois não adianta colocar a culpa no vinho, na vinícola ou no enólogo.

 

4. Falta constante de energia elétrica

Certo, nesse quesito não há muito o que ser feito, mas pense em que tipo de vinho e de adega você quer preservar. Imagina esse “vai e volta” de energia + o risco de queimar o equipamento + a correria para salvar o vinho. Verifique se sua casa tem problemas de energia, por exemplo, falhas de dimensionamento de circuitos (que fazem o disjuntor desligar toda hora). Veja se vale a pena o risco de perder a adega ou o vinho.

 

5. Adega passiva

Se você tiver a sorte de ter um local adequado com condições altamente favoráveis para armazenar um vinho (temperatura entre 12ºC e 15,5ºC e umidade entre 70% e 95%), aproveite! É chamada de adega passiva por ter condições naturalmente adequadas, sem precisar de resfriar ou umidificar. Em geral, esse local fica em porões abaixo do nível do solo e com isolamento térmico que podem ser pedras ou isolamento equivalente. Este ambiente deverá estar livre de trepidações e de odores.

Essa seria a melhor das opções, porque você teria uma adega sem precisar comprar! Fora isso, sem gastos com energia elétrica e baixíssimo custo de manutenção (pra não dizer zero).

 

Gostaria de reforçar que não sou contra adegas, pelo contrário, são acessórios que podem ser muito úteis e práticos, apenas quis listar alguns motivos que encontrei e que me ajudaram a decidir por não comprar (nesse momento).

Me contem! Já possuem adega? Pretendem comprar? Ou desistiram?

Varietal, Corte, Assemblage e Blend

Muitas vezes encontramos algumas descrições no rótulo do vinho que podem gerar algumas dúvidas. Afinal, o que significa Varietal, Corte, Assemblage e Blend?

Aqui vai uma breve explicação:

 

Varietal

É chamado de Varietal o vinho que possui apenas uma variedade de uva. 

 

Rótulos de Vinhos Varietais
Rótulos de Vinhos Varietais

 

No rótulo:

  • Quando está escrito o nome de apenas uma uva, se trata de um vinho varietal
  • Quando está escrito que é um varietal, se trata de um vinho com apenas uma uva

Até agora está fácil, o problema é que essa regra não é regra em todos os lugares.

 

“Variações” do Varietal:

Em alguns países é permitido ter mais de uma uva em vinhos varietais, desde que contenha o mínimo exigido da uva principal. No Brasil, um vinho varietal deve conter pelo menos 75% da uva descrita no rótulo.

Para se destacar, alguns produtores colocam no rótulo “100% Varietal” ou “Monovarietal” quando o vinho for produzido com apenas uma uva.

 

 

Corte

Os vinhos de corte são vinhos com mais de uma uva. Também são chamados de assemblage (em francês), blend (em inglês) ou lote (em Portugal).

Rótulos de Vinhos de Corte
Rótulos de Vinhos de Corte

Vinhos de regiões, vinhedos ou safras diferentes também podem ser chamados de corte.

Os motivos para cortar (misturar) vinhos pode ser redução de custos ou melhorar a qualidade do vinho, utilizando uvas com características diferentes para complementar umas as outras. O corte também é como uma arte para o enólogo que extrai o melhor de cada uva, de cada safra, para poder fazer um vinho equilibrado, diferente e exclusivo.

 

E qual é melhor?

Há quem prefira os varietais e há quem goste da diversidade dos cortes, mas não existe melhor ou pior, não tem a ver com qualidade e sim com gosto pessoal. Um vinho com as características marcantes de uma determinada variedade de uva ou o vinho com o melhor de muitas uvas podem agradar e surpreender.

 

E vocês? Têm alguma preferência?

Rolhas-Tipos e Características

As rolhas são responsáveis por fechar a garrafa. Independente do seu formato ou material, sua principal função é manter o vinho sem contato com o ambiente externo, evitando a oxidação. Neste post vou apresentar os tipos de rolhas utilizados em garrafas de vinho e as sua principais características.

 

Rolha de Cortiça

Rolha de Cortiça. Foto própria

Rolha de Cortiça

A cortiça é um material vegetal extraído da casca de uma árvore,o sobreiro. A casca do sobreiro é retirada em média a cada 9 anos e depois de retirada a árvore produz uma nova casca (não precisa cortar a árvore). Esse material foi escolhido por não ter cheiro e nem sabor, apresenta grande poder de vedação, elasticidade e resistência.

A rolha de cortiça é a preferida de muitos (produtores, enólogos e enófilos) por sua qualidade e, por enquanto, é a única opção para uso em vinhos de guarda, mas possui uma desvantagem: o risco da doença de rolha.

 

Doença de Rolha

 

A doença de rolha, também chamada de Bouchonée (em francês) ou Corked (em inglês) é caracterizada por um odor desagradável que lembra papelão molhado ou mofo. É uma contaminação devido ao TCA-Tricloroanisol, que é o resultado de um fungo (que pode estar na madeira), associado ao contato com substâncias cloradas (limpeza do ambiente) e fenóis (encontrados normalmente na rolha).

Essa contaminação atinge em média de 3% a 5% de todos os vinhos, o que levou muitos produtores a escolher alternativas para evitar essa perda, uma vez que muitos consumidores que percebem algum defeito no vinho acabam não comprando mais, gerando prejuízos para a marca.

 

 

Rolha de Aglomerado

Rolha de Aglomerado. Foto própria.
Rolha de Aglomerado

É a rolha feita a partir de lascas de cortiças coladas.

Pode passar gostos desagradáveis para o vinho. Para evitar esse problema, muitos usam a rolha de aglomerado com duas camadas de cortiça maciça, isolando a cola do vinho. 

Também pode contaminar o vinho com a doença de rolha.

 

 

Rolha Sintética

Rolha Sintética. Foto própria.
Rolha Sintética

É feita de plástico e possui grande variedades de estilos e níveis de qualidade. Este modelo tem sido utilizado como alternativa de diminuir o custo e evitar a doença de rolha.

Pode passar gostos desagradáveis para o vinho e não são apropriadas para os vinhos que precisam ser envelhecidos em garrafas.

 

 

Tampa de Rosca

Tampa de Rosca. Fontes: www.bottpack.co.za e yalumba.com
Tampa de Rosca. Fontes: www.bottpack.co.za e yalumba.com

Também chamada de screwcap, a tampa de rosca é a principal concorrente das rolhas de cortiça. Eram utilizadas principalmente em vinhos servidos em aviões pela sua praticidade, mas já está invadindo o mercado. Eliminam o risco de doença de rolha e são práticas para abrir e fechar a garrafa.

Ainda há certa preocupação com vinhos que precisam envelhecer em garrafas. Tem-se verificado bons resultados em vinhos tintos de consumo a médio prazo, mas para longo prazo as rolhas de cortiça ainda são insubstituíveis.

Alguns enófilos têm certo preconceito com relação a vinho com tampa de rosca. Alguns acham que perde o “charme do ritual”, o “romantismo” de abrir uma garrafa (é o mesmo charme de abrir uma garrafa PET), outros acreditam que se trata de vinhos de qualidade inferior. O fato é que além de baratear o vinho, ainda facilita a nossa vida (bom para levar em lugares que você não sabe se vai ter um saca-rolhas!).

 

Rolha de Vidro

Rolha de vidro. Fonte:  http://vinolok.cz/
Rolha de vidro. Fonte: http://vinolok.cz/

 

Foi criada na Alemanha em 2003 e já tem conquistado alguns produtores e enófilos mundo afora. A rolha de vidro é uma alternativa para evitar a doença de rolha da cortiça, não passar o gosto do plástico da rolha sintética e ainda tem uma aparência melhor que a tampa de rosca. Tem ótima vedação, é prática, higiênica e pode ser reciclada. 

Por ser uma tecnologia recente, ainda não foi possível analisar o seu comportamento para os vinhos de guarda a médio e longo prazo.