Vinho, Gastronomia e Viagens

Teroldego: a Uva do Trentino

Hoje vou falar sobre uma uva que tem produzido bons exemplos de vinhos nacionais, mas que não é tão famosa: a Teroldego.

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Foto: Flickr Elisabetta Foradori

 

Origem e História

Teroldego (lê-se “teroldego”) é uma uva tinta da região do extremo norte de Trentino, nordeste da Itália. A primeira vez que o vinho utilizando as uvas Teroldego foi mencionado (que se tem registro) foi em 1840 em Cognola na Itália, em um contrato que dizia haver uma quantidade de “bons vinhos teroldego”.

É provável que o berço da Teroldego seja a planície Rotaliano e que tenha tomado o nome de um lugar chamado Alle Teroldege, onde vinhas foram mencionadas antes do século XV. Outra hipótese é pelo sinônimo Tiroldigo, o nome que deriva de Tiroler Gold, ouro do Tirol, este nome era, aparentemente, usado em Viena para designar vinhos de Trentino. Alguns autores sugerem que Teroldego foi introduzida a partir da planície vizinha de Verona, onde uma variedade chamada Terodol’i foi mencionada no passado.

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Foto: Pinterest Vinotube

Estudos feitos baseados no DNA, revelou que a Teroldego é uma “irmã” da Dureza (uva extinta “mãe” da Syrah), portanto, um “tio/tia” da Syrah.

Outros nomes: Teroldega, Teroldigo, Tiraldega, Tiroldigo e Merlina (em Valtellina-Itália)

 

Características

Teroldego é uma uva roxa de cor escura e cascas firmes. Produz vinhos com uma acidez e um amargor característicos e tem potencial para produzir desde vinhos de corpo mais leve até os mais encorpados.

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Foto 1: Flickr Elisabetta Foradori Foto 2: Vinotube

Cor: Rubi intenso

Aromas: Frutas vermelhas, frutas negras, ameixa, cereja, especiarias.

 

Regiões Produtoras

Trentino continua sendo a “casa” da Teroldego. Elisabetta Foradori é a principal produtora dos vinhos Teroldego Rotaliano (D.O.C).

Outros países que produzem vinhos com esta uva são: Estados Unidos, Austrália e Brasil.

 

Teroldego no Brasil

A uva teve uma boa adaptação aqui no Brasil. Algumas vinícolas nacionais já produzem bons vinhos tintos e rosés utilizando-a em varietais ou cortes: Vinhetica, Salton, Lídio Carraro, Don Guerino e Angheben.

 

Onde encontrar

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Vinhetica Rosé Teroldego/Merlot Wine For

Salton Intenso Marselan/Teroldego Salton (tem post sobre esse vinho aqui)

Lídio Carraro Singular Teroldego: Wine

Don Guerino Gran Reserva Teroldego: Boccati

Angheben Teroldego Um Brinde Vinhos

Elisabetta Foradori World Wine

 

 

E vocês? Já conheciam esta uva? Gostam? Conhecem outros produtores nacionais? 

Se quiserem saber mais sobre esta e outras uvas, é só escrever aqui nos comentários!!

Até a próxima!

 

Obs: Gostaria de agradecer ao Vinotube pela gentileza de me permitir usar suas fotos no post.

Vinícola Salton

Visitar a serra gaúcha significa beber vinhos e… visitar vinícolas!! Quem me acompanha no Instagram viu que aproveitei minha visita à serra para conhecer a vinícola da Salton.

Fachada Salton_

História da Salton

A história da Salton se inicia em 1878 quando Antonio Domenico Salton saiu da Itália e veio para o Brasil com sua família para se instalar na colônia italiana Vila Isabel, hoje conhecida como Bento Gonçalves. Para sustentar a família, Antonio mantinha uma “Casa di Pasto”, antiga casa de refeições que também abrigava viajantes. Em 1893 a casa já fazia parte do comércio de Bento Gonçalves e os parreirais plantados no terreno dos fundos da casa forneciam as uvas para produzir os vinhos que eram servidos.

Após a morte de Antônio, Paulo Salton (o filho mais velho) assumiu a Casa di Pasto e legalizou o estabelecimento em 1910, passando a se chamar “Armazém de Paulo Salton”. Essa é a data considerada como a fundação da Vinícola Salton.

 

Tour pela Vinícola

Existem três roteiros de visitação: o Standard (30min), o Tradicional (1 hora) e o Evolução (2 horas).

Participei do roteiro Tradicional e, dois dias depois, voltei para fazer o roteiro Evolução para conhecer a “Sala Secreta”.

 

Vinhedo

O tour pela vinícola começa pela área externa, nos vinhedos. Há uma área de 0,25 ha de Cabernet Sauvignon que são utilizadas para estudos.

vinhedosalton

Vinho e Arte

A vinícola é repleta de arte e história. Na Galeria dos 100 anos são apresentadas algumas obras de arte que retratam a história da vinícola, mas há também outras obras com analogias aos funcionários, aos setores da empresa e ao ciclo do vinho.

VinhoeArteSalton

Produção

A área de produção foi construída de modo a integrar o processo da elaboração do vinho com o turismo na vinícola. O tour é feito por passarelas e é possível ver todo o processo de cima, começando pelo recebimento, passando pelas auto-claves até o engarrafamento. Em seguida fomos para a Cave das Bordalesas, barricas que alguns vinhos passam antes de ser engarrafado.

Producao Salton

Cave das Bordaloesa

Cave da Evolução

Nos roteiros tradicional e evolução passamos pela Cave da Evolução, que é um tour a parte. Não vou colocar fotos, pois é mais bonito ao vivo. São apresentados alguns vinhos que fizeram história, mais arte e… leve um casaquinho que ali dentro faz frio.

Cave da Evolução Salton

Jardim e Relógio Solar

A área externa possui um belo jardim e na fachada tem um relógio solar que, além das horas, marca também o aniversário da Salton.

JardimRelogioSolarSalton

Degustações

As degustações são feitas no final do tour e variam de acordo com o roteiro escolhido (sujeito a variações):

 

Standard: são apresentados os vinhos Salton Classic, Lunae, Intenso e Moscatel/Brut.

 

Tradicional: as degustações são feitas na sala reservada e são apresentados os vinhos Lunae, Salton Intenso ou Salton Paradoxo, Salton Talento ou Salton Desejo, Salton Prosecco ou Salton Malvasia e Salton Reserva Ouro ou Salton Évidence

 

Evolução: Esta degustação é feita na Sala Secreta e são apresentados alguns dos melhores vinhos: Salton Virtude, Salton Gerações, Salton Talento ou Salton Desejo, Salton Évidence e Produto Exclusivo.

 

Loja

O tour termina na loja. Parte do valor pago no roteiro é revertido em descontos na loja, de acordo com o roteiro. Dá pra fazer a festa nas compras, só não pode esquecer que o limite de bagagem para vôos domésticos como bagagem de mão é de uma caixa (com 6 garrafas) por pessoa.

Loja e Sala Reservada Salton

Informações Gerais

Valores dos roteiros

Standard: R$ 10,00 (R$ 5,00 de desconto na loja)

Tradicional: R$ 15,00 (R$ 10,00 de desconto na loja)

Evolução: R$ 50,00 (não oferece desconto na loja)

 

Localização

A Vinícola Salton está situada no Vale do Rio das Antas – Distrito de Tuiuty – município de Bento Gonçalves/RS.

Outras informações, você pode encontrar no site da vinícola (clique aqui).

 

Para quem gosta de vinhos e quer conhecer e provar bons vinhos brasileiros, recomendo os roteiros Tradicional e Evolução, pois são bem completos e os vinhos apresentados valem o ingresso. Para participar do roteiro Evolução é necessário agendamento com no mínimo 48 horas de antecedência e está sujeito a disponibilidade do sommelier.

Os vinhos também podem ser encontrados na Loja Virtual da vinícola. 

O vinho além da garrafa

É muito comum usarmos a expressão “abrir uma garrafa de vinho”, mas acredito (na verdade, espero) que a boa e velha garrafa irá abrir um pouco mais do seu espaço para embalagens mais práticas e modernas.

A garrafa de vinho tem seus méritos, não vou negar e nem entrar em detalhes, mas não seria prático se pudéssemos comprar o vinho em uma latinha (como a cerveja ou refrigerante), ou uma caixa (como os sucos), ou mini garrafas de vidro ou…PET (pq não?)? 

O que estou dizendo não é nenhuma novidade no mundo, mas não é comum no Brasil. Tenho reparado bastante nessas embalagens #foradopadrão e vou mostrar alguns vinhos que me chamaram mais a atenção.

 

Lata de Alumínio

A latinha é prática e eu ainda não entendo porque não tem no Brasil. Será que é pela ausência de “glamour”?

Na Expovinis 2015 não encontrei muitas opções, só vi a Ciao, de vinhos Italianos. Infelizmente não tinha para provar, mas gostei do que vi. As latinhas da marca são coloridas (lembra bastante refrigerante) e são vinhos frisantes. Já é um começo, mas queria mesmo ver vinhos finos.

Vinho em Lata
Imagem: http://www.ciaowines.eu/

PS: Quando estava terminando de escrever este post, vi no Instagram (já me segue?) do Blog Vida e Vinho um frisante em lata nacional, o Glamm.

vinho em lata Glamm_vinhobasico

 

Garrafa 187ml

Garrafa pequena é sempre uma opção interessante. Boa para ter na geladeira (isso, geladeira!): prática e não desperdiça (quem nunca deixou um resto de vinho na garrafa – e jogou fora – que atire a primeira rolha).

Esse tipo de embalagem com 187ml eu já encontrei para vender no Brasil, mas não para vinhos nacionais. É uma opção que me agrada bastante, ainda mais porque a tampa é de rosca (scraw-cap). Mais prático impossível!

 

Na Expovinis 2015 provei o vinho português Cedro (branco) e gostei. Simples de tomar, sem muitas cerimônias.

vinho garrafa 187ml_vinhobasico

 

Bag in Box

Esta embalagem é composta de um saco (bag) dentro de uma caixa (box) com uma torneirinha que fica fora da caixa e quando o vinho sai não entra ar, evitando que o vinho oxide e fazendo durar mais tempo. Possui capacidade de 3 e 5 litros. Bom para ter na geladeira e tomar quando der vontade.

 

Sempre que viajo para a Serra Gaúcha volto com alguns exemplares na mala. Costumo comprar da Miolo e gosto bastante.

 

Bag in Box_vinhobasico

 

Embalagens praticas que facilitam a vida é um incentivo ao consumo (desde que não seja tão cara). A cerveja é um bom exemplo, fazia embalagens de 600ml e hoje as latinhas e long necks reinam soberanas.

 

E vocês, preferem a boa e velha garrafa ou dariam (dão) uma chance às embalagens “alternativas”?