Se você, assim como eu, já passou por essa situação de não saber escolher vinhos, sabe como é difícil ficar cercada por centenas de garrafas e sair sem comprar nenhuma (ou comprar aquele rótulo só porque é mais famoso e todo mundo bebe).

Boccati vinhobasico

Foto: arquivo pessoal tirada na Boccati (loja de vinhos em Caxias do Sul)

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Eu sempre ficava olhando as prateleiras, a carta de vinhos e não sabia qual era o critério para escolher esse ou aquele vinho.

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O que eu vou dizer aqui não é uma regra, é apenas uma sugestão, mas pode te ajudar a explorar novos sabores!

 

#1 Comece escolhendo Vinhos Finos

Quando aparece o termo “Vinho Fino” no rótulo, quer dizer que foi feito com uvas nobres, uvas próprias para vinhos (e não com uvas de comer ou de fazer sucos). Prefira vinhos finos aos vinhos de mesa. É uma garantia de qualidade superior.

 

#2 Escolha Vinhos de uvas “Locais”

Algumas uvas se adaptaram bem em certas regiões, por exemplo, o Malbec na Argentina. Quando escolhemos a uva de acordo com a região, a chance de encontrar um bom vinho aumenta.

 

Argentina: Malbec (tinta), Torrontés (branca)

Chile: Carménère (tinta), Sauvignon Blanc (branca)

Brasil: Merlot (tinta). Moscato Giallo (branca), Chardonnay (branca)

Nova Zelândia: Pinot Noir (tinta), Sauvignon Blanc (branca)

Austrália: Shiraz (tinta), Chardonnay (branca)

Uruguai: Tannat (tinta)

África do Sul: Pinotage (tinta), Chenin Blanc (branca)

Estados Unidos: Zinfandel

 

Comprar pelo nome da uva é uma prática recente, que veio com a produção no Novo Mundo. Para vinhos europeus, ou do Velho Mundo, não é sempre que dá pra usar essa dica.

 

# 3 Na dúvida, vá de Cabernet Sauvignon ou Chardonnay

Existem duas uvas que se dão bem praticamente em todas as regiões: Cabernet Sauvignon (tinta), Chardonnay (branca). Na dúvida da uva, escolha uma delas!

 

#4 Não caia no golpe do Reservado (nem do Reserva)

Essa palavra no rótulo não significa NADA! Eu já caí nesse golpe (#quemnunca?), mas depois de pesquisar muito vi que não traz mais qualidade para o vinho. Alguns produtores até tem regras próprias, em que “reservam” as melhores uvas para os melhores vinhos e acabam usando o Reserva no rótulo, mas isso não garante que o Reserva dele é melhor que o não Reserva de outro. 

 

Na Espanha existe uma regulamentação com a uva Tempranillo. Quando um vinho é chamado de “Reserva”, significa que o vinho ficou 12 meses descansando em carvalho (madeira) e até 2 anos de envelhecimento na garrafa.

 

#5 Espumantes Brasileiros são ótimas escolhas

Eu sempre falo aqui e no Instagram sobre a qualidade dos nossos espumantes. Se quiser um bom espumante sem ter que gastar todo o salário, aposte nos brasileiros. A Serra Gaúcha tem excelentes rótulos, mas vou destacar a região de Garibaldi, que é conhecida como a capital do espumante.

O espumante brut (praticamente sem açúcar) é o mais democrático. Se quiser um mais elegante, escolha espumante elaborado pelo método tradicional (champenoise), e se quiser impressionar e sair do óbvio, escolha um rosé!

 

#6 Não se apegue ao ano da safra

A safra no rótulo serve para mostrar em que época a uva foi cultivada. Conhecendo as condições climáticas é possível ter uma ideia de como será o vinho (dizem que a safra de 2017 trará bons vinhos brasileiros… vamos esperar).

Vinho mais antigo não é garantia de vinho melhor. Vinho antigo mal armazenado (e que você pagou mais caro por causa do ano) pode ser uma surpresa bem desagradável.

Na dúvida, escolha vinhos jovens, prontos para beber. Alguns produtores trazem a informação do tempo de guarda no contra-rótulo.

 

#7 Rolha não significa vinho bom e Rosca não significa vinho ruim

Se você ainda tem preconceitos com vinhos que utilizam rosca (screw-cap) para o fechamento das garrafas, pode começar a abandonar. A rosca tem uma ótima vedação e para vinhos jovens é a melhor opção. Não deixe de experimentar um bom vinho só por causa da rosca.

 

#8 Não tenha medo de errar

Existe sempre um medo de errar na hora de comprar um vinho, seja no supermercado ou no restaurante.

Se você é novo no mundo dos vinhos, escolha vinhos com preços mais acessíveis. Troque de uva, de marca, de rótulo, de país, de safra… Aproveite os encontros com os amigos para conhecer novos sabores. E se o vinho não for bom, use para cozinhar! Existem muitos pratos que usam vinhos em suas receitas: coq au vinboeuf bourguignon, vale até sagu de vinho.

Muitas vezes o preço não ajuda muito e dá mais medo ainda de errar, principalmente em restaurantes. Imagina pedir uma garrafa de R$100,00 e não gostar do vinho. Na dúvida, peça ajuda. A maioria dos restaurantes tem um profissional para orientar. Se ele sugerir o mais caro da carta, diga a ele o quanto você quer pagar, não tenha vergonha. Se existe um vinho que é o mais barato da carta, ele está lá para ser vendido como todos os outros e deve ser de qualidade.

 

#9 Harmonização é interessante, mas não é tudo

Eu sempre recebo dúvidas de harmonizações: queijos, massas, carnes, qual uva? qual vinho? qual cor?

Há uma grande preocupação com isso, mas em geral ela é desnecessária. Claro que existem algumas regrinhas que deixam a combinação mais gostosa (ou um desastre), mas não se limite. E se tiverem dúvidas, continuem me mandando perguntas, porque eu adoro respondê-las.

 

Se esse post ajudar pelo menos uma pessoa a perder o medo de escolher vinhos, minha missão já estará cumprida.

Se você tiver alguma dica que eu não tenha citado, coloque nos comentários para ajudar outras pessoas.